sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Sexualidade e Espiritualidade na Perspectiva Bíblica
Uma das verdadeiras tragédias da história do cristianismo tem sido o divórcio entre a sexualidade e a espiritualidade. Esse fato é ainda mais lamentável porque a Bíblia apresenta um altíssimo conceito em relação à sexualidade humana.
Sexualidade e Espiritualidade não são inimigas, mas amigas. A Bíblia fala com propriedade sobre a vida espiritual que o homem precisa buscar e também de seu desenvolvimento pleno na sua vida sexual. O livro de Gênesis afirma que deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão os dois uma só carne (Gn 2.24). Biblistas renomados dizem que a expressão serão os dois uma só carne fala do ato sexual entre homem e mulher. O texto também declara que homem e mulher viviam nus e não sentiam vergonha (Gn 2.25). Richard J. Foster fala que não havia vergonha porque havia inteireza. Havia uma unidade orgânica em seu íntimo, assim como havia com o restante da Criação.
Foi Deus quem criou homem e mulher para se relacionarem sexualmente. Evidentemente que essa relação deve acontecer dentro do casamento. Pois, sexo antes do casamento é fornicação. Sexo fora do casamento é adultério. Mas, sexo no casamento é Ordenança de Deus. O sexo foi criado por Deus (Gn 1.26-28), o sexo no casamento deve ser puro e digno de honra (Hb 13.4), o sexo no casamento traz prazer (Dt 24.5), o sexo no casamento requer carícias (Gn 26.8), o sexo no casamento exige fidelidade (Ct 6.3; 4.12; Pv 6.32), o sexo no casamento exige a completa devoção dos cônjuges.
Jesus tinha um conceito elevado sobre sexo e casamento. Ele condenou a luxúria porque ela rebaixava o sexo, tornando-o menos do que aquilo para o que fora criado (Mt 5.28). Na visão de Jesus o sexo era demasiado bom, elevado e santo e não poderia ser trocado por pensamentos baratos. Ele defende o casamento declarando que o que Deus uniu, ninguém separe (Mt 19.6). De igual forma, o apóstolo Paulo tem uma visão esclarecida sobre a perspectiva bíblica da sexualidade. Ele menciona que o relacionamento de homem e mulher deve ser semelhante à aliança entre Cristo e sua Igreja (Ef 5.32), e que homem e mulher (casados) devem buscar satisfação sexual mútua (I Co 7.3).
A história e muitos de seus personagens julgaram de maneira equivocada o sexo. Quem muito contribuiu para um conceito distorcido sobre sexo foi Agostinho. Devido suas próprias estrepolias sexuais quando jovem foram responsáveis pela atitude negativa que tinha para com a sexualidade depois de sua conversão. Mesmo no contexto do casamento ele via a relação sexual como venal, a não ser que tivesse o propósito de conceber filhos. Outros teólogos foram muito mais longe que Agostinho. Alguns deles chegaram a afirmar que o Espírito Santo deixava o quarto todas as vezes que um casal se uniam sexualmente. Richard Foster relata que um tal de Yves de Chartres aconselhava os devotos a se abster de relacionamentos sexuais nas quintas-feiras, em memória à ascensão de Cristo; nas sextas, em memória à crucificação de Cristo; aos sábados, em honra à Virgem Maria; aos domingos, em comemoração pela ressurreição de Cristo; e nas segundas, em respeito às almas que já haviam partido.
O ser humano distorceu a compreensão de sexualidade através de práticas pecaminosas que constituem atos de promiscuidade, violência e impureza como: adultério, fornicação, prostituição (Gl 5.19,20), o swing (troca de casais), o sexo a três, os sexo grupal, o bestialismo ou zoofilia, sadismo, masoquismo, fetichismo, narcisismo, mudança de identidade sexual (Rm 1.26,27), erotização por telefone, sexo virtual, sexo ritual e incesto.
É necessário que os cristãos se afastem da sexualidade distorcida e compreendam a visão bíblica acerca da sexualidade humana.
Pr. Reginaldo Cruz
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